2013-09-11
Sobre o Futuro da Covilhã
A campanha eleitoral pede um esforço de memória capaz de enquadrar as estratégias de persuasão das diversas candidaturas autárquicas, no sentido de perceber que direcções programáticas nos apontam as diversas listas, como se posicionam em relação ao passado e de que modo antevêem o futuro nas vicissitudes do presente. Nesta perspectiva, a amplificação de espúrias polémicas de circunstância apenas aproveita àqueles que contam com o esquecimento dos eleitores.
A importância destas eleições para o futuro da Covilhã, das suas freguesias e da Beira Interior tem sido muito assinalada, fundamentalmente quando se evidencia
o falhanço da estratégia de enfrentamento egocêntrico seguida nos últimos mandatos, que ao invés de contribuir para concertar posições e para uma gestão partilhada e colaborativa dos recursos, foi enfeudando o município, duplicando estruturas e perdendo ligação com a região. Justifica-se agora uma mudança nas políticas públicas e nos métodos de governação, adequando-os ao momento histórico e ao paradigma social e cultural que almejamos.
Fez-se muita obra com os fundos estruturais e de coesão, mas algo correu mal neste modelo de desenvolvimento: feita a infra-estruturação da região e do município, falta gente! Não se criaram estruturas de apoio às pessoas e às famílias. O crescimento megalómano da cidade serviu outros interesses. Algumas casas jamais serão ocupadas e a manutenção das estruturas será tão onerosa que muitas encerrarão, como aconteceu já com escolas, postos de correios e centros de saúde. Não obstante, a Câmara continua a demonstrar ter um problema com a realidade, que nem na campanha eleitoral corrige.
Foi ainda patente a dificuldade da Câmara em muitos âmbitos fulcrais: na relação com a tutela, no acolhimento à UBI, na reabilitação patrimonial, no planeamento urbano, no incentivo ao comércio local, na reforma dos serviços públicos, de molde a fixar população e novos sectores de actividade na cidade e nas freguesias. A acção municipal deveria ter sido exemplar, estabelecendo um referencial de qualidade.
O Concelho enfrenta desafios difíceis. Tem de preparar-se para um tempo de parcos recursos que exige maior critério. Um tempo em que as pessoas e as suas capacidades sejam a prioridade. Um tempo de incentivo à fixação de população e de emprego qualificado. A educação e o conhecimento, a saúde e o bem-estar promovem-se por via das políticas públicas e do ambiente institucional, cultural e urbano. Neste particular, as equipas lideradas por Carlos Pinto, que integraram com bastantes responsabilidades Joaquim Matias e Pedro Farromba, foram bastante omissas, limitando-se a pouco mais que alimentar o bodo. Em prol do necessário amadurecimento da democracia, isto tem que mudar.