Escritos sobre a Beira Interior
Arte, Aquitectura e Território - Francisco Paiva
2013-09-12
Razões para a Covilhã mudar de rumo
O derradeiro mês de campanha eleitoral exige um esforço de memória capaz de enquadrar as estratégias de persuasão seguidas pelas diversas candidaturas autárquicas. Será igualmente necessário perceber que direcções programáticas nos apontam as diversas listas, como se posicionam em relação ao passado e de que modo antevêem o futuro a partir das vicissitudes do presente. Nesta perspectiva, a amplificação de espúrias polémicas de circunstância apenas aproveita àqueles que contam com o esquecimento dos eleitores para prometerem o contrário daquilo que fizeram, alijando responsabilidades.
Qualquer reflexão não pode, pois, deixar de fazer um balanço dos últimos anos de exercício do poder local neste município, dos seus protagonistas, feitos e métodos.
2013-09-11
Sobre o Futuro da Covilhã
A campanha eleitoral pede um esforço de memória capaz de enquadrar as estratégias de persuasão das diversas candidaturas autárquicas, no sentido de perceber que direcções programáticas nos apontam as diversas listas, como se posicionam em relação ao passado e de que modo antevêem o futuro nas vicissitudes do presente. Nesta perspectiva, a amplificação de espúrias polémicas de circunstância apenas aproveita àqueles que contam com o esquecimento dos eleitores.
A importância destas eleições para o futuro da Covilhã, das suas freguesias e da Beira Interior tem sido muito assinalada, fundamentalmente quando se evidencia
2012-10-23
Inovação como estratégia para a Beira Interior
1. Um dos principais factores de atractividade económica e de equilíbrio demográfico continua a ser a qualidade do espaço físico habitado e a articulação das diversas funções que as cidades e as regiões modernas devem assegurar. A valorização do território apela cada vez mais à imaginação na utilização dos instrumentos financeiros nacionais e das políticas europeias de coesão ao dispor das organizações que assumem a missão de contribuir para a melhoria da qualidade de vida. Porém, estando o Fundo de Desenvolvimento Urbano no centro da Estratégia 20/20, que tem sido feito a nível local para aproveitar as qualidades e superar as consabidas fragilidades estruturais da Beira Interior neste campo?
2011-07-06
Ante os Despojos (Sobre a exposição de Michal Krenz no Museu de Lanifícios da UBI)
Certos resíduos da cidade aparecem agora iluminados pelo talento na mais recente exposição individual de Michal Krenz (http://krenz.pl), patente no Museu de Lanifícios até 4 de Setembro. O autor apresenta pinturas e assemblages que transfiguram a condição dos objectos de todos os dias e fazem da arte uma construção que alarga verdadeiramente as fronteiras do possível.Destacam-se nesta exposição um conjunto de “morceaux choisis”, voz de Gide, que adquirem sentido e qualidades próprias da metáfora, do deslocamento que os respiga da ruína para a margem improvável da fantasia.
2010-01-07
Contra o Mercado Municipal no Campo das Festas da Covilhã
Reivindicado pela população desde os tempos da Primeira República, o Mercado Municipal tardou três décadas a ser erigido. Logo centralizou a praça de frescos e substituiu o desaparecido mercado do peixe, paradigmático exemplar da arquitectura de ferro na, então, Vila da Covilhã. Com o conjunto monumental da Praça do Município, já classificado, o Mercado testemunha uma tendência de intervenção na cidade consolidada movida pelo ânsia de representação
2009-09-03
Identidade e futuro patrimonial da Covilhã
O dossier subordinado ao tema “Covilhã, a cidade-fábrica” integrado no último número da revista Monumentos proporciona-nos uma panorâmica diacrónica, qual mosaico de síntese dos temas mais significativos da herança social, política, económica e até artística da cidade. Ali se descrevem as dinâmicas que foram moldando a urbe, desde o passado castrejo à fixação da muralha medieval cristã, do arrabalde à judiaria,
2008-08-28
Que cidade merecemos?
Poderoso instrumento de organização da vida social, a forma das cidades é também um eloquente testemunho do modelo de regulação, da partilha de responsabilidades e da competência da administração pública na gestão do território. Ao contrário do que sucede noutros países, o alheamento dos portugueses relativo aos factos mais relevantes da política urbana denuncia carências culturais profundas.
2008-07-24
Direito à cidade
Em contraponto às manchetes sonantes, há todo um conjunto de parâmetros que influem mais na qualidade de vida que a construção dos reclamados túneis e novas auto-estradas. A mobilidade ou acessibilidade urbana é, sem dúvida, um dos mais pertinentes. A crise de combustíveis veio, aliás, acentuar a reflexão em torno desta problemática, questionar hábitos e instigar a capacidade de transformar uma situação económica
2008-06-26
(Ir)realidade do território
A arte contemporânea tem-se interessado muito pela problemática do território. Desde os anos 60 que os artistas vêm alertando para os efeitos da suburbanização massiva, da poluição, da descaracterização do património e da decadência estética dos sítios. São bem conhecidas as intervenções de Smithson sobre os "não-lugares" e os seus denominados earthworks não passaram despercebidos.
2008-05-22
É obra, Covilhã!
A Câmara da Covilhã atingiu no ano transacto o admirável passivo de 87.000.000 euros, números redondos, com o consentimento da Assembleia Municipal (NC). O mesmo é dizer que cada munícipe deve aproximadamente 1.750 euros, dívida que provavelmente ninguém prevê amortizar e poucos conseguirão justificar, a não ser por militância ou indigência, que é praticamente a mesma coisa.
2008-04-24
Cultura e Política
Os governos das cidades europeias foram percebendo que a política se pode regenerar ou tornar mais assertiva pelo incremento de práticas culturais. Foi assim na Florença dos Médicis e é assim na actual disputa pela capitalidade cultural no seio das regiões. Na presunção de que o talento e a inteligência são contagiosos, o envolvimento nas questões artísticas e intelectuais do nosso tempo, sendo uma necessidade humana essencial,
2008-03-20
O uso do Território
Toda a paisagem é uma construção cultural, corresponde a uma organização e categorização do espaço e dos lugares em relação a um determinado modo de vida. A paisagem contextualiza a nossa experiência quotidiana e presta-se a diferentes análises: o agricultor tem uma percepção diferente do geógrafo. A paisagem natural acabou. A pintura romântica já o havia percebido em meados do Século XIX.
2008-02-28
Árvores no espaço público
Normalmente, associa-se a Árvore da Sabedoria, cujos frutos vencem o olvido e a ignorância, à aprendizagem e à medição do tempo natural e efémero da vida; analogia que não esconde o desempenho das árvores na fecundidade e no equilíbrio dos ecossistemas. É, aliás, comum considerar as árvores na inferição do génio dos lugares, pois elas bebem do passado.
2008-01-24
Covilhã, intra e extra-muros
A douta elocução com que Michael Mathias abriu a "transurbância", a mais recente iniciativa promovida pelo Movimento Cidadania Covilhã, aclarou o desempenho do muralha da vila na aglutinação dos núcleos das Portas do Sol, da Ramalha e do Castelo e esclareceu as implicações deste perímetro no desenvolvimento urbano. O grupo de participantes nesta iniciativa pôde reconhecer no terreno a informação
2007-12-20
Arte Contemporânea na Periferia
Interrogo-me há algum tempo sobre o alheamento das comunidades do Interior face a algumas manifestações contemporâneas, com excepção da hegemonização do consumo e da disseminação do fast-food, bem entendido. Tal situação tem vantagens e inconvenientes, mas a privação da generalidade das tendências simbólicas
2007-10-25
Pertinência Estratégica da “Comurbeiras”
O acrónimo "Comurbeiras" designa por antonomásia a Comunidade Urbana das Beiras, entidade vocacionada para a administração intermunicipal. Apesar das incongruências iniciais (arbitrariedade da circunscrição, descontinuidade territorial, desejo de secessão, etc.), a Comurbeiras, fundada a 30 de Junho de 2004, congregou 12 municípios das regiões NUTS III da Serra da Estrela, Beira Interior Norte e Cova da Beira,
2007-09-27
Tempo de humanizar a Cidade
A cidade plasma as dinâmicas e os ciclos sociais, funcionando como um indício da esperança colectiva, apesar de nem sempre crescer de acordo com as expectativas daqueles que a habitam. Desde sempre que a cidade povoa o imaginário ocidental, oscilando entre o lugar da utopia e da catástrofe. Não obstante, a arte de fazer cidade condiciona o carácter, o ritmo da vida e a cultura dos povos.
2007-08-23
Política urbana e democracia na Beira interior
Nos últimos trinta anos a paisagem beirã sofreu transformações profundas, sobretudo por força da acção do poder local, que promoveu activamente a extensão da área "urbanizada", e devido à alteração na estrutura económica e produtiva, que registou acentuado decréscimo (cerca de 70%) da actividade agrícola e forte migração das aldeias para as cidades. A administração pública que pactuou com uma política fundiária assente no retorno financeiro das operações urbanísticas, não cuidando da organização territorial numa perspectiva integrada, refugia-se agora no conceito de "cidade alargada" para justificar a construção a eito, numa pulsão centrífuga de desmembramento das áreas consolidadas.
A expansão da Guarda e da Covilhã foi mais determinada pela topografia do que a de Castelo Branco. Não obstante, as três cidades apresentam zonamentos do solo urbano idênticos:
A expansão da Guarda e da Covilhã foi mais determinada pela topografia do que a de Castelo Branco. Não obstante, as três cidades apresentam zonamentos do solo urbano idênticos:
2007-07-28
A urbanidade do centro da Covilhã
O núcleo antigo da Covilhã, situado estrategicamente na zona do Castelo, foi substituído por outras centralidades. Diversos fenómenos, como a fundação dos conventos mendicantes, a construção dos Paços do Concelho e a abertura das ruas Direita e Marquês d’Ávila e Bolama alteraram a dinâmica urbanística dos arrabaldes, retirando progressivamente protagonismo ao Largo de Santa Maria, durante muito tempo o sítio
2007-07-26
De que falecem as cidades da Beira
Há duas maneiras de falar das cidades, diz-nos Calvino: uma consiste em dizer que têm jardins, ruas, chaminés e bairros e outra passa por sentir a vida que as pessoas trazem nos olhos. Então, as cidades são invisíveis sem a memória do que foram e são inverosímeis sem o desejo do que poderão ser. Noutro registo, a recente Carta Europeia de Leipzig para o renascimento das cidades, aponta precisamente a beleza,
2007-05-24
Centros Urbanos
A civilidade está intrinsecamente ligada à cidade. A polis grega designava tanto a forma urbis como o modelo de relacionamento social apropriado ao lugar. A notoriedade das cidades condiciona a aspiração das suas instituições e a qualidade de vida dos seus habitantes.
2007-04-12
A Beira Interior e a Serra (5/5): Arquitectura e Turismo
Este é o quinto artigo da série. Nas edições anteriores versámos os temas da Ecologia, Paisagem e Memória, Património e Turismo, Aldeias ou Aldeamentos, Política do Território, Programação Integrada e Rural e Urbano. Tentámos, em detrimento do jargão, aludir aos conceitos transversais à reflexão sobre o tema do planeamento territorial, urbano e arquitectónico. A perspectiva de um arquitecto ganhará em ser confrontada
2007-04-05
A Beira Interior e a Serra (4/5): Rural e Urbano
7. Rural e Urbano
Se as questões rurais ganham peso na política de ordenamento (Público, 9/1) e se o governo afirma no PNPOT privilegiar a relação litoral/interior, alertamos para o perigo de tal articulação se poder fazer à custa da migração das actividades inconvenientes, sem os devidos benefícios sociais, infraestruturais e de serviços.
Se as questões rurais ganham peso na política de ordenamento (Público, 9/1) e se o governo afirma no PNPOT privilegiar a relação litoral/interior, alertamos para o perigo de tal articulação se poder fazer à custa da migração das actividades inconvenientes, sem os devidos benefícios sociais, infraestruturais e de serviços.
2007-03-29
A Beira Interior e a Serra (3/5): Programação integrada
Cerca de 40 por cento (9,3 mil milhões de euros) das verbas comunitárias do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) para o período 2007-13 estão afectas ao Programa Operacional Temático de Valorização Territorial, na prossecução da opção governamental de reforçar a competitividade territorial de Portugal nos espaços ibérico, atlântico e global. Esta é, aliás, uma das linhas determinantes do Programa
2007-03-22
A Beira Interior e a Serra (2/5): Património e Turismo
3. Património e Turismo
O Século XX gerou fluxos de pessoas sem paralelo noutro momento histórico. Estes fluxos não são homogéneos e dependem de muitos factores entre os quais, a par do lazer, assume crescente relevo o afã patrimonialista – o "moderno culto dos monumentos", diz Riegl – e cultural. O património compreende
O Século XX gerou fluxos de pessoas sem paralelo noutro momento histórico. Estes fluxos não são homogéneos e dependem de muitos factores entre os quais, a par do lazer, assume crescente relevo o afã patrimonialista – o "moderno culto dos monumentos", diz Riegl – e cultural. O património compreende
2007-03-15
A Beira Interior e a Serra (1/5): Ecologia, Paisagem e memória
Os portugueses tomam progressivamente consciência do elevado ónus que representa a desorganização do País. Um conjunto de artigos recentes sobre os anunciados investimentos turísticos na Serra da Estrela alerta, igualmente, para a relação custo/benefício desta actividade. Perpassa esses textos a comum inquietude face ao modelo e aos pressupostos de tais investimentos, numa velada mistura de desconfiança e impotência
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